Tratamento da dor abdominal na febre de dengue

A dor abdominal é um sintoma comum da febre dengue. Pode ser uma dor benigna relacionada à infecção viral em si, ou pode sinalizar complicações que requerem atenção médica urgente. Como a dengue pode causar fragilidade dos vasos sanguíneos, contagens baixas de plaquetas e vazamento de plasma, o tratamento da dor abdominal deve equilibrar alívio e segurança.

Tratamento da dor abdominal na febre de dengue
Febre dengue. Os sintomas da febre dengue geralmente incluem febre alta súbita, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dor muscular e nas articulações, náuseas, vômitos e, às vezes, uma erupção na pele. Em casos mais graves, sinais de alerta como dor abdominal, gengivas sangrantes ou vômitos persistentes podem indicar dengue severa, que requer atendimento médico urgente.

Por que a febre dengue causa dor abdominal?

A dor abdominal na dengue pode surgir por diversos mecanismos:

  • Irritação inflamatória ou dor muscular associada à febre e infecção viral.
  • Hepatomegalia (aumento do fígado) devido à hepatite viral.
  • Vazamento capilar e acúmulo de plasma na cavidade abdominal.
  • Colecistite acalculosa (vesícula biliar inflamada sem pedras) causada pela inflamação associada à dengue.
  • A pancreatite, hepatite ou envolvimento de outros órgãos também podem se apresentar com dor.
  • Em casos raros, a dor pode imitar condições agudas (por exemplo, apendicite), levando a confusões diagnósticas.

Tratamento da dor abdominal em pacientes com febre dengue

Avaliação clínica imediata

Se você tem dengue e dor abdominal significativa, seu médico irá:

  • Revisar sintomas e cronologia. A dor que aumenta acentuadamente, é localizada (por exemplo, no quadrante inferior direito), ou está associada a distensão ou defesa abdominal precisa de avaliação cuidadosa.
  • Verificar sinais vitais: pressão arterial, pulso, temperatura, e sinais de choque ou deterioração.
  • Realizar exames laboratoriais. Esses exames incluem hemograma completo (plaquetas, hematócrito), testes de função hepática, e marcadores de inflamação.
  • Utilizar imagem: o ultrassom é frequentemente usado para detectar espessamento da parede da vesícula biliar, líquido livre ou inflamação de órgãos. Uma tomografia computadorizada pode ser útil em casos difíceis.

A dor sozinha não requer automaticamente cirurgia; a maioria dos casos responde bem ao manejo conservador.

Tratamento conservador (primeira linha)

Repouso e monitoramento

  • Descanso na cama para reduzir a demanda metabólica e permitir que o sistema imunológico controle a infecção.
  • Monitoramento próximo: checagens frequentes de sintomas, produção de urina e sinais vitais.

Alívio da dor

  • Paracetamol é o analgésico de primeira escolha para a dor relacionada à dengue, incluindo desconforto abdominal. A diretriz geral de dosagem é de 10–15 mg/kg a cada 4–6 horas, não excedendo 4 g/dia em adultos (ajustar para menos em crianças).
  • Evitar aspirina e anti-inflamatórios não esteroides como ibuprofeno ou naproxeno, pois podem aumentar o risco de sangramento e agravar a trombocitopenia (baixa contagem de plaquetas).
  • Para dor intensa que não responde ao paracetamol, pode-se utilizar opioides sob supervisão médica rigorosa.

Manejo de fluidos

  • A dengue frequentemente causa desidratação devido à febre, vômitos e baixa ingestão. A manutenção do equilíbrio hídrico é crítica:
  • Estimular a ingestão oral adequada se o paciente puder beber. Adultos devem ingerir cerca de 2,5 L por dia ou mais, ajustando conforme o tamanho do corpo.
  • Soluções de reidratação oral ajudam a manter o equilíbrio eletrolítico.
  • Se o paciente não puder tolerar fluidos ou desenvolver sinais de desidratação ou choque, a terapia intravenosa pode ser necessária. Os fluidos devem ser administrados cuidadosamente para evitar sobrecarga, especialmente porque o vazamento de plasma é um risco na dengue.

Dieta e conforto gastrointestinal

  • Oferecer refeições leves e de fácil digestão quando o paciente puder tolerar para reduzir o esforço gastrointestinal.
  • Evitar refeições ricas em gordura, picantes ou pesadas que possam exacerbar náuseas ou desconforto abdominal.
  • Refeições pequenas e frequentes costumam ser melhores do que grandes refeições durante a recuperação.

Sinais de alerta que requerem cuidados urgentes

A dor abdominal pode ser um sinal de alerta de dengue severa. Procure atendimento médico urgente se:

  • A dor for intensa e persistente.
  • A dor aumentar rapidamente.
  • A dor estiver acompanhada de distensão ou defesa.
  • A dor estiver acompanhada de vômito, fezes negras ou semelhantes a alcatrão, sangue no vômito ou melena.
  • A dor estiver acompanhada de sinais de choque: pulso fraco, extremidades frias ou irritabilidade.
  • A dor ocorrer com queda significativa de plaquetas e aumento do hematócrito (sugerindo vazamento de plasma).

Nesses cenários, os pacientes frequentemente precisam de hospitalização para monitoramento intensivo, manejo de fluidos e possivelmente suporte com hemoderivados.

Papel da imagem e consulta

Na maioria dos pacientes com dengue e dor abdominal, a imagem mostra alterações benignas ou inflamatórias em vez de emergências cirúrgicas.

  • Ultrassons podem detectar espessamento da parede da vesícula biliar (sugerindo colecistite acalculosa) ou líquido livre no abdômen.
  • Tomografias podem ser necessárias em casos complexos onde o diagnóstico não é claro.
  • A intervenção cirúrgica raramente é necessária, e a maioria dos pacientes se recupera com cuidados conservadores.

Grupos especiais

Crianças, pacientes grávidas ou aqueles com doenças crônicas do fígado/pulmão/coração podem necessitar de gestão de fluidos especial e monitoramento mais rigoroso.

Pacientes com envolvimento hepático severo podem precisar de doses ajustadas de paracetamol e monitoramento regular da função hepática.

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