A lovastatina pertence a uma classe de medicamentos chamada estatinas, ou inibidores da HMG-CoA redutase. Os médicos prescrevem lovastatina principalmente para reduzir o colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL) — comumente chamado de “colesterol ruim”. A lovastatina também aumenta o colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL) e reduz os triglicerídeos.

Em termos de eficácia, ensaios clínicos mostram que a lovastatina reduz o colesterol LDL em aproximadamente 25% a 40%, dependendo da dose (20 mg a 80 mg por dia). Normalmente, você toma o medicamento uma vez ao dia à noite, pois a síntese de colesterol atinge o pico durante a noite.
A medicação lovastatina também é vendida sob nomes comerciais como Mevacor, Altoprev, Lovacor, Lovastatina ou Mevinacor.
Mecanismo de ação da medicação lovastatina (Mevacor)
A lovastatina é uma pró-droga, o que significa que seu corpo precisa convertê-la em sua forma ativa — ácido lovastático — antes que ela comece a fazer efeito. Uma vez ativada, a lovastatina inibe competitivamente uma enzima chamada HMG-CoA redutase. Esta enzima catalisa uma etapa chave na via do mevalonato, que é a rota biológica que as células hepáticas usam para sintetizar colesterol.
Quando a lovastatina bloqueia essa enzima, a produção de colesterol dentro das células hepáticas diminui. Em resposta, as células do fígado aumentam o número de receptores de LDL em sua superfície para capturar mais colesterol LDL da corrente sanguínea. O resultado líquido é uma queda significativa nos níveis de colesterol LDL circulante.
Importante dizer que a via do mevalonato não produz apenas colesterol. Também produz outras moléculas — incluindo coenzima Q10 (ubiquinona), dolicóis e isoprenoides — e a inibição dessa via pela lovastatina afeta todos esses produtos, causando vários efeitos colaterais.
Efeitos colaterais da medicação lovastatina (Mevacor)
Os efeitos colaterais comuns da lovastatina (que ocorrem em mais de 1% dos usuários do medicamento) são:
- Dor muscular ou fraqueza muscular
- Dor de cabeça
- Náuseas e desconforto gastrointestinal (incluindo dor abdominal, flatulência, diarreia e constipação)
- Aumento das enzimas hepáticas (detectado em exames de sangue, geralmente sem sintomas).
Os efeitos colaterais incomuns da lovastatina (que ocorrem em 0,1% a 1% dos usuários do medicamento) são:
- Insônia e distúrbios do sono
- Problemas de memória ou mudanças cognitivas (neblina cerebral)
- Erupção ou reações cutâneas
- Tontura.
Efeitos colaterais raros, mas graves da lovastatina (que ocorrem em menos de 0,1% dos usuários do medicamento) são:
- Rabdomiólise (quebra muscular severa que pode causar insuficiência renal)
- Miopatia (doença muscular)
- Neuropatia periférica (dano nos nervos nos membros)
- Hepatotoxicidade (dano hepático grave)
- Miopatia necrosante mediada por imunidade.
A seguir, explicamos os efeitos colaterais e orientamos sobre como evitá-los ou reduzi-los.
1. Dor muscular e fraqueza muscular (mialgia e miopatia)
Queixas relacionadas aos músculos são a razão mais comum para as pessoas interromperem o uso de medicamentos estatinas. A lovastatina (Mevacor) causa esse efeito colateral por pelo menos dois mecanismos. Primeiro, ao reduzir a produção de coenzima Q10 — uma molécula essencial para a produção de energia nas células musculares — a lovastatina prejudica as mitocôndrias dentro das fibras musculares, levando a fadiga, dor muscular e fraqueza muscular. Segundo, a lovastatina reduz a disponibilidade de isoprenoides, que as células musculares precisam para a função normal das proteínas e a estabilidade das membranas. Esses efeitos estressam o tecido muscular e, em indivíduos suscetíveis, desencadeiam inflamação ou até mesmo morte celular.
A mialgia (dor muscular) ocorre em aproximadamente 7% das pessoas que tomam medicamentos estatinas, incluindo a lovastatina. A miopatia (doença muscular clinicamente significativa com aumento dos níveis de creatina quinase) ocorre em cerca de 1 em cada 10.000 usuários do medicamento. A forma mais severa, a rabdomiólise — na qual as fibras musculares se quebram e liberam proteínas na corrente sanguínea que podem danificar os rins — ocorre em aproximadamente 1 em cada 100.000 pessoas que tomam a lovastatina sozinha. O risco aumenta drasticamente quando você toma a lovastatina junto com certos outros medicamentos.
Para evitar ou reduzir esse efeito colateral, você deve:
- Tomar o medicamento na menor dose eficaz.
- Evitar tomar a medicação lovastatina com medicamentos que aumentem significativamente o nível de lovastatina no sangue: certos antibióticos (claritromicina, eritromicina), medicamentos antifúngicos (itraconazol, cetoconazol), medicamentos inibidores da protease do HIV e o imunossupressor ciclosporina — todos esses medicamentos aumentam o risco de dano muscular.
- Evitar beber grandes quantidades de suco de grapefruit, porque o suco de grapefruit inibe a enzima que decompõe a lovastatina e, portanto, aumenta sua concentração no sangue.
- Informar imediatamente ao seu médico se você sentir dor muscular inexplicável ou urina de coloração escura (um sinal de rabdomiólise).
- Seu médico pode verificar periodicamente seus níveis de creatina quinase ou mudar para um medicamento estatina diferente se os sintomas musculares forem problemáticos.
- Algumas evidências sugerem que a suplementação com coenzima Q10 pode reduzir os sintomas musculares relacionados às estatinas, embora os resultados dos ensaios clínicos não sejam claros.
2. Dor de cabeça
A dor de cabeça é outro efeito colateral comum da lovastatina, embora os cientistas não compreendam totalmente o mecanismo. A razão pode ser que a lovastatina pode atravessar a barreira hematoencefálica (em grau limitado) e interferir na via do mevalonato no sistema nervoso central, alterando assim as moléculas de sinalização e a composição da membrana das células cerebrais. Mudanças no tônus dos vasos sanguíneos — uma vez que o colesterol desempenha um papel na função das células vasculares — também pode contribuir para a dor de cabeça.
Cerca de 2-3% das pessoas que tomam a lovastatina experimentam dor de cabeça. Esse efeito colateral geralmente se resolve por conta própria dentro das primeiras 2-3 semanas, quando seu corpo se ajusta ao medicamento.
Você deve beber água suficiente. Tomar o medicamento com alimentos pode reduzir os efeitos colaterais gastrointestinais e neurológicos.
Se as dores de cabeça persistirem ou forem intensas, discuta com seu médico sobre ajustar a dosagem ou mudar para um medicamento estatina diferente.
3. Efeitos colaterais gastrointestinais (náuseas, dor abdominal, flatulência, diarreia, constipação)
A lovastatina (Mevacor) é metabolizada no fígado e entra no trato gastrointestinal durante esse processo. A lovastatina e seus metabólitos podem irritar a mucosa do estômago e dos intestinos, alterar o equilíbrio das bactérias intestinais e afetar a motilidade intestinal. A via do mevalonato também opera nas células intestinais, portanto, inibir essa via pode interromper a função celular gastrointestinal normal.
Queixas gastrointestinais ocorrem em aproximadamente 5% das pessoas que tomam a lovastatina. Náuseas e desconforto abdominal são os mais comuns entre esses efeitos colaterais, enquanto diarreia e constipação são menos frequentes. Esses sintomas são geralmente leves e transitórios.
Para evitar ou reduzir esse efeito colateral, você deve:
- Tomar o medicamento com alimentos ou imediatamente após uma refeição para reduzir a irritação estomacal.
- Começar com uma dose mais baixa e aumentar gradualmente, se seu médico concordar, para dar ao seu sistema digestivo tempo para se adaptar.
- Se você sentir constipação, aumentar a ingestão de fibras e líquidos geralmente ajuda.
- Se os sintomas gastrointestinais forem persistentes ou graves, fale com seu médico. O médico pode considerar mudar para uma medicação estatina alternativa.
4. Aumento das enzimas hepáticas (hepatotoxicidade)
Como o fígado é o principal local de metabolismo da lovastatina e o principal alvo da ação do medicamento, ele é vulnerável a efeitos indesejados. A lovastatina e seus metabólitos podem sobrecarregar as células hepáticas, levando a aumentos leves nas enzimas, como alanina aminotransferase (ALT) e aspartato aminotransferase (AST). Em casos muito raros, esse problema progride para um dano hepático genuíno.
Elevações leves nas enzimas hepáticas (definidas como mais de três vezes o limite superior do intervalo normal) ocorrem em aproximadamente 2% das pessoas que tomam a lovastatina (Mevacor), mais comumente em doses mais elevadas (80 mg por dia). Hepatotoxicidade clínica grave — dano hepático real com sintomas — é rara, ocorrendo em menos de 1 em cada 10.000 pacientes. Para a maioria das pessoas, a elevação das enzimas é assintomática e reverte quando param de tomar o medicamento.
Para evitar ou reduzir esse efeito colateral, você deve:
- Evitar o consumo de álcool durante o período em que você toma o medicamento, porque o álcool já sobrecarrega o fígado e aumenta o risco.
- Evitar tomar outros medicamentos que são tóxicos para o fígado sem informar seu médico.
5. Insônia e distúrbios do sono
A lovastatina pode atravessar a barreira hematoencefálica, desregular a via do mevalonato nos neurônios e afetar o metabolismo de substâncias neurotransmissoras e hormônios — incluindo serotonina e melatonina — que regulam o sono. Alguns pesquisadores também sugerem que o desconforto muscular relacionado às estatinas durante a noite contribui para a má qualidade do sono.
Distúrbios do sono ocorrem em aproximadamente 2% das pessoas que tomam medicamentos estatinas lipofílicos como a lovastatina.
6. Problemas de memória e alterações cognitivas
O cérebro é o órgão mais rico em colesterol do corpo, e o colesterol desempenha um papel crítico na formação e manutenção das conexões sinápticas entre os neurônios. Como a lovastatina pode atravessar a barreira hematoencefálica e inibir a síntese de colesterol no tecido cerebral, alguns pesquisadores acreditam que esse medicamento pode prejudicar a renovação das membranas sinápticas, podendo afetar a memória e o desempenho cognitivo. A via do mevalonato também produz outras moléculas importantes para a função neuronal.
Problemas de memória ocorrem em aproximadamente 3% dos usuários de medicamentos estatinas e geralmente desaparecem após interromper o uso do medicamento.
Se você notar problemas de memória ou “neblina cerebral” após usar a medicação lovastatina, informe seu médico. Mudar para um medicamento estatina hidrofílico, como a pravastatina, pode eliminar esse problema.
7. Rabdomiólise (quebra muscular grave)
A rabdomiólise é o efeito colateral muscular mais perigoso da lovastatina. É a forma extrema do mesmo mecanismo que causa a mialgia comum: a grave deterioração da produção de energia e da integridade da membrana nas células musculares leva à morte generalizada das fibras musculares. As fibras que estão morrendo liberam grandes quantidades de mioglobina — uma proteína que transporta oxigênio nos músculos — na corrente sanguínea. Os rins tentam filtrar essa quantidade de mioglobina, mas a mioglobina é tóxica para as células dos túbulos renais e pode causar lesão renal aguda ou até mesmo insuficiência renal.
A rabdomiólise é muito rara quando você toma a medicação lovastatina (Mevacor) sozinha, ocorrendo em aproximadamente 1 em cada 100.000 pessoas por ano. No entanto, o risco aumenta em 10 vezes ou mais quando a lovastatina é combinada com medicamentos que inibem a enzima CYP450 3A4 (que decompõe a lovastatina), como medicamentos antifúngicos fortes, certos antibióticos, medicamentos para tratamento do HIV e alguns medicamentos imunossupressores.
Sempre informe ao seu médico e farmacêutico sobre todos os medicamentos, suplementos dietéticos e produtos herbais que você está usando.
8. Neuropatia periférica
Os nervos periféricos, assim como os neurônios do cérebro, dependem do colesterol para formar e manter a mielina — a capa isolante que envolve as fibras nervosas e permite que os sinais elétricos viajem de forma rápida e confiável. Quando a lovastatina suprime a síntese de colesterol, a formação da mielina pode ser prejudicada, levando à disfunção nervosa. Alguns estudos sugerem que a deficiência de coenzima Q10 também pode desempenhar um papel ao prejudicar o metabolismo energético nas células nervosas periféricas.
A neuropatia periférica é um efeito colateral raro, ocorrendo em menos de 1 em cada 10.000 usuários de estatinas.
Informe ao seu médico se você sentir formigamento ou dormência nas mãos ou pés. O médico deve descartar outras causas de neuropatia periférica (como diabetes ou deficiência de vitamina B12) antes de atribuir os sintomas à lovastatina.
9. Miopatia necrosante mediada por imunidade
A miopatia necrosante mediada por imunidade é uma condição autoimune incomum, porém distinta, na qual o sistema imunológico desenvolve anticorpos contra a própria HMG-CoA redutase. A razão pode ser que os medicamentos estatinas, ao aumentar a HMG-CoA redutase nas células musculares regenerativas (uma vez que as células tentam compensar a inibição do medicamento), expõem mais dessa enzima ao sistema imunológico. Em indivíduos geneticamente predispostos, o sistema imunológico então monta um ataque não apenas na enzima ligada ao medicamento, mas em toda a HMG-CoA redutase — incluindo nas células musculares.
Esse é um efeito colateral muito raro da lovastatina.

