A digoxina é um glicosídeo cardíaco que os médicos prescrevem para melhorar a função cardíaca em condições cardíacas específicas. Normalmente, os médicos prescrevem este medicamento para tratar a insuficiência cardíaca com capacidade de bombeamento reduzida e para controlar a frequência cardíaca na fibrilação atrial, que é um ritmo cardíaco irregular. Este medicamento fortalece a contração do músculo cardíaco e diminui os sinais elétricos que controlam a frequência cardíaca. Devido a esses efeitos, a digoxina pode melhorar sintomas como falta de ar, fadiga e frequência cardíaca rápida.

A digoxina tem sido usada há mais de dois séculos. Este medicamento se origina da planta Digitalis lanata, também chamada de dedaleira-lana. Apesar da idade deste medicamento, muitos cardiologistas ainda o prescrevem, pois ele pode reduzir sintomas e internações hospitalares em alguns pacientes com insuficiência cardíaca.
O medicamento digoxina também é vendido sob nomes comerciais como Lanoxin, Digitek ou Lanoxicaps.
Este medicamento é eficaz, mas a diferença entre uma dose segura e uma dose prejudicial é pequena. Os médicos precisam monitorar os níveis de sangue, a função renal e os sintomas de perto durante o tratamento.
Mecanismo de ação do medicamento Lanoxin (digoxina)
A digoxina atua afetando o movimento de íons dentro das células cardíacas.
Normalmente, as células do músculo cardíaco utilizam uma proteína chamada bomba de adenosina trifosfato de sódio-potássio para manter o equilíbrio de íons de sódio e potássio. A digoxina inibe essa bomba.
Essa inibição leva a diversos efeitos:
- Aumento do sódio intracelular
- Redução da atividade da proteína trocadora sódio-cálcio
- Aumento do cálcio intracelular dentro das células cardíacas
Esse acúmulo de cálcio fortalece a contração do músculo cardíaco. Os médicos chamam esse efeito de efeito inotrópico positivo.
A digoxina (Lanoxin) também afeta o nervo vago, que faz parte do sistema nervoso parassimpático. Essa estimulação vagal diminui a condução elétrica através do nó atrioventricular. Esse efeito ajuda a controlar a frequência cardíaca na fibrilação atrial.
Principais efeitos colaterais do medicamento digoxina (Lanoxin)
Os principais efeitos colaterais da digoxina são:
- Efeitos colaterais gastrointestinais
- Alterações do ritmo cardíaco
- Distúrbios visuais
- Sintomas neurológicos e psiquiátricos
- Distúrbios eletrolíticos
- Sintomas de toxicidade.
O risco desses efeitos colaterais aumenta quando a concentração de digoxina no sangue sobe acima de 2 nanogramas por mililitro, quando a função renal diminui ou quando os níveis de eletrólitos se tornam anormais.
A seguir, explicaremos os efeitos colaterais importantes e orientaremos sobre como evitá-los ou reduzi-los.

1. Efeitos colaterais gastrointestinais
Os sintomas gastrointestinais ocorrem em cerca de 15% das pessoas com toxicidade por digoxina.
Os sintomas comuns são:
- Náusea
- Vômito
- Perda de apetite
- Desconforto abdominal
A Lanoxin (digoxina) estimula a zona de gatilho do quimiorreceptor no cérebro. Esta área do cérebro controla a náusea e o vômito. Essa estimulação leva a sintomas digestivos.
A digoxina também pode aumentar o tônus vagal no trato digestivo. Essa estimulação vagal retarda o esvaziamento do estômago e causa desconforto abdominal.
Você pode reduzir esses efeitos colaterais:
- Tomando o medicamento digoxina exatamente na dose prescrita
- Evitando a duplicação acidental da dose
- Verificando a função renal regularmente
- Informando ao seu médico sobre vômito ou perda de apetite de forma precoce
Os médicos frequentemente medem o nível de digoxina no sangue se sintomas gastrointestinais aparecerem.
2. Distúrbio do ritmo cardíaco (arritmia)
O distúrbio do ritmo cardíaco é o efeito colateral mais perigoso da digoxina. Estudos relatam arritmias em até 20% das pessoas com toxicidade por digoxina.
Os exemplos incluem:
- Frequência cardíaca lenta
- Contrações ventriculares precoces
- Bloqueio atrioventricular
- Taquicardia ventricular
- Fibrilação ventricular em casos graves de toxicidade por digoxina.
A digoxina aumenta o cálcio intracelular. Esse aumento de cálcio melhora a contração do músculo cardíaco, mas também aumenta a atividade elétrica automática nas células cardíacas.
O excesso de cálcio pode desencadear impulsos elétricos anormais. A digoxina também diminui a condução elétrica através do nó atrioventricular. A desaceleração excessiva pode causar bloqueio cardíaco, onde os sinais elétricos não conseguem alcançar as câmaras inferiores do coração.
Você pode reduzir esse risco:
- Monitorando os níveis de potássio cuidadosamente
- Evitando desidratação
- Informando os médicos sobre medicamentos que interagem com a digoxina, como certos antibióticos ou medicamentos antiarrítmicos
- Medindo a concentração de digoxina no sangue quando os sintomas ocorrerem.
Baixos níveis de potássio aumentam fortemente o risco de arritmias induzidas por digoxina.
3. Distúrbios visuais
Distúrbios visuais ocorrem em aproximadamente 7% das pessoas com toxicidade por digoxina.
Sintomas típicos:
- Visão turva
- Visão amarelada ou esverdeada (xantopsia)
- Aurétrias ao redor de luzes
- Confusão visual
A digoxina interfere nas bombas iônicas nas células retinais. Essa interferência muda a forma como as células retinais respondem aos sinais de luz.
O resultado é uma percepção anormal de cores e distorção visual.
Historicamente, alguns historiadores acreditam que esses efeitos visuais influenciaram os tons amarelos nas pinturas do artista Vincent van Gogh, embora essa teoria permaneça debatida.
Você precisa contatar um médico imediatamente se notar alterações visuais enquanto estiver tomando o medicamento digoxina. Os médicos podem:
- Medir os níveis de digoxina
- Reduzir a dose
- Interromper este medicamento se a toxicidade se desenvolver.
4. Sintomas neurológicos e psiquiátricos
Os sintomas neurológicos ocorrem em cerca de 10% dos casos de toxicidade por digoxina.
Os sintomas comuns são:
- Fadiga
- Fraqueza
- Confusão
- Tontura
- Delírio em idosos.
A digoxina atravessa a barreira hematoencefálica e afeta os neurônios. Mudanças no equilíbrio eletrolítico dentro das células nervosas podem alterar a sinalização cerebral.
Os idosos frequentemente desenvolvem esses sintomas mais facilmente, pois a função renal diminui com a idade. A função renal reduzida aumenta a concentração de digoxina no sangue.
Você pode reduzir esse risco:
- Usando doses menores em idosos
- Verificando a função renal regularmente
- Monitorando a concentração de digoxina no sangue
- Evitando interações medicamentosas.
5. Distúrbios eletrolíticos
Na maioria dos casos, os distúrbios eletrolíticos aumentam o risco de toxicidade por digoxina.
Os distúrbios eletrolíticos mais importantes incluem:
- Baixo potássio
- Baixo magnésio
- Alto cálcio.
O potássio e a digoxina competem pelo mesmo local de ligação na bomba de sódio-potássio. Quando os níveis de potássio caem, a digoxina se liga mais fortemente a essa bomba. Essa ligação mais forte aumenta o efeito do medicamento e aumenta o risco de toxicidade.
Os médicos geralmente recomendam:
- Monitorar os níveis de potássio regularmente
- Evitando o uso excessivo de medicamentos diuréticos sem supervisão
- Manter uma nutrição equilibrada
- Relatar sintomas como fraqueza muscular ou palpitações.
Quem não deve usar digoxina?
Os médicos evitam usar digoxina para essas pessoas:
- Pessoas com certos distúrbios do ritmo cardíaco. Pessoas com fibrilação ventricular não devem tomar o medicamento digoxina. Este medicamento pode piorar arritmias ventriculares perigosas.
- Pessoas com alergia à digoxina.
- Pessoas com insuficiência renal severa. Os rins eliminam a digoxina do corpo. A doença renal severa pode causar acúmulo do medicamento e toxicidade.
- Pessoas com certos distúrbios de condução elétrica. Pessoas com bloqueio atrioventricular avançado sem marcapasso não devem usar o medicamento digoxina.
Medicamentos alternativos
Os médicos podem escolher outros medicamentos, dependendo da condição subjacente.
– Para controle da taxa de fibrilação atrial, os medicamentos alternativos comuns incluem:
- Metoprolol
- Diltiazem
- Verapamil.
Esses medicamentos reduzem a condução elétrica através do nó atrioventricular. Esses medicamentos geralmente proporcionam um controle mais seguro da frequência cardíaca, especialmente em pacientes mais jovens.
– Para a insuficiência cardíaca, os médicos podem recomendar medicamentos que melhoram a sobrevivência em casos de insuficiência cardíaca, incluindo:
- Lisinopril
- Carvedilol
- Espironolactona.
Esses medicamentos melhoram a função cardíaca e reduzem a mortalidade na insuficiência cardíaca. A digoxina melhora principalmente os sintomas, mas não reduz a mortalidade na maioria dos pacientes.

